quinta-feira, 11 de março de 2010

fábula


imagem: c@rljones/flickr

,pois os cavalos,
em seu ímpeto de liberdade
dispararam pelos campos
como bólidos brancos,
negros
e amarelos
perfumados de crinas
e campinas
narinas ardendo
aos ventos.
e pararam, extasiados,
junto ao rio, de águas limpas
e de sedes extintas
e se inclinaram
diante de tanta beleza
e de tanta luz.

,e lá de cima, dos páramos,
observavam o vale, demolido,
cinza, desprovido
de sinais
de qualquer vida:
e viram
vagavam por lá estranhas criaturas
que deviam temer o sol
e a claridade
pois viviam
em buracos escuros.

,e os cavalos dispararam
de volta
aos seus campos
plenos de sol
e lua.

2 comentários:

MOISÉS POETA disse...

bela fábula , danilo!
coisa linda de se ler...!
um grande abraço !

Adriana Godoy disse...

Danilo, encantei-me por seus cavalos, por sua poesia. É uma viagem dessas boas. Tenho um poema que faz parte de uma série que escrevi que me lembrou esse:

Martin Oliver

cavalos loucos correm nas colinas azuis
o planeta é amarelo cor de terra
não há lua aqui: um ou dois planetas mais próximos
que lançam bólitos continuamente
sempre é dia: só uma noite em 894 dias
e hoje era noite e os planetas estavam diferentes
e os cavalos enormes balançam suas crinas
e soltam gritos estrondosos audíveis a grandes distâncias
e Martin Oliver descendente dos faraós
aparece naquelas terras quentes e hoje escuras
sonha com possíveis caçadas
procura o que todos têm medo de encontrar
e sai nessa noite eternizada nos gritos dos cavalos
e não volta mais
bem que lhe avisaram os profetas e os velhos guerreiros
bem que sua amada Namma Bozz lhe suplicara que não fosse
contudo Martin Oliver não desistira
e montando um belo cavalo lhe dissera
com voz firme e rouca:
meu amor, não posso negar o que o destino me reserva
e foram essas suas palavras últimas
e hoje depois de 893 dias : a única noite depois de sua saída
alguém viu no céu, no planeta mais próximo que brilhava
a sombra de Martin Oliver
sobre um enorme cavalo
e atrás de si outra sombra negra gigante. "

Vc acha que tem a ver?
Beijão.