sexta-feira, 17 de abril de 2009

TANGÍVEL


foto: círculos tangentes, por sidi guariachi- flickr

Meu pai foi plenilunio
cometa foi
de brilho intenso e raro.
Páro, hoje,
a relembrar
seu tempo
e as nuances lúdicas
do seu estar no mundo.

Meu pai foi nascedouro
e foz
fez
de águas nunca represadas
estuário de emoções
e sentimentos.

Foi palavra, foi canto,
foi música do vento
foi poesia, voando
no tempo.
Trazia
encantos de luar
em asas de borboletas
e cantos de passarins.

Meu pai foi verso,
foi verbo,
foi verbena e rosa
um ser de estirpe impar
desses que habitam este
e os outros mundos.

Foi. É.
Meu pai será
para sempre
presença tangivel
nas águas do meu rio
que se desloca,
em círculos concêntricos
buscando repetir
a sua imensidão..

in memorian do meu pai, no 11º aniversário de seu falecimento

Um comentário:

Compulsão Diária disse...

Tocante e belo poema. Coincidência, Danilo, nossos pais falceram no mesmo dia. Mas o meu há 44 anos!
E eu postei um (Flesh)back pra ele...porque jamis conseguiria seu distanciamento, sua sublimação.