quinta-feira, 21 de abril de 2011

éramos nós


imagem: anas ahmad/flickr

a caixa de leite abandonada sobre a mesa
amassada pela metade
traduz esse abandono
e a solidão de um copo sujo
deixado prá trás
com marcas de baton
e dos dedos teus
cpomo marcas indeléveis
de um passado
que não passa.
sobre a pia, pratos amontoados
rstos de pizza, fiapos verdes
do que ontem foram margaritas
divididas, entre lençóis.
agora, tua ausência grita silêncios
e arranha as paredes
como gatas no cio
teus cheiros, teus dedos,
teus suores
inundam tudo
como mares náufragos:
teu silêncio ao telefone
teu não estar
arranca gritos mudos
e explode em uivos
de lobo prá lua:
nua nua nua
tua lembrança invade
os vadios lençóis:
éramos nós.

2 comentários:

António Gallobar disse...

Um belissimo poema, muitos parabens

Gostei

Adriana Godoy disse...

Danilo, um grito de dor como esse, um grito poético e desesperado que cala fundo a alma e umedece os olhos. Bonito demais, Danilo, um dos mais fortes e tocantes. beijo