domingo, 19 de julho de 2009

não. nunca acordar assim


foto: Love & Pain - flickr/Naylori

Não. Nunca acordar assim
Ausente de afetos
Feito feto
No escuro frio
De um ventre inútil.
Nunca. Não adormecer assim
Pleno de ausências
Que se desenham
Tatuagens cítricas
Na pele
Acordando gritos
De personagens mudos.

É assim o amor.
Bicho tinhoso
De muitas cardos
e de muitas
Cordas
Garras que se cravam no corpo
E arranham, sugam,e
Às vezes sangram
Sentimentos curvos
Turvos nos olhares.

É assim. Assassino
De si proprio, às vezes,
Outras vezes,
Coros de anjos
E luzes de poentes
Em seus dentes
Cabelos das madrugadas
Mais calientes.

Na plenitude vazia
Do desassossego
O arremedo do sonho:
O pesadelo
De se ser impar.

4 comentários:

nina rizzi disse...

ai que belezura de desassossego. que eu nunca me entardeça de poemas assim. que vc nunca amanheça sem palavras assim.

não fosse minha descrença, te fazia guru... rsrsrs..

veja o meu amor:
http://escritorassuicidas.com.br/edicao35_3.htm#ninarizzi35

beijo :)

L. Rafael Nolli disse...

Muito bom. Um casamento legal entre texto e imagem. Gostei.

Doroni Hilgenberg disse...

Dan,

Nunca acodar assim... ausente de afetos...ausências!
Mas o amor e assim,ora flor, ora espinho, paraiso e inferno.
E quando temos duvidas, é aquele desassossego a nos consumir a alma e sangrar o coração.
bjs

Salete Maria disse...

Oi, o Cordelirando está com a campanha+promoção: Ajude Salete Maria a CORDELIRAR!
Dá uma conferida e, se der, participa e divulga, por favor!
Abraços!