sábado, 5 de março de 2016
o sonho já não cabe na palma de nossas mãos
:Não chore, baby!
O que nos resta senão arrancar
Deste solo árido
Esta impossível flor
Feita de pedra e cor?
O que nos resta, senão viver,
Pressentindo na entrelinha
O contínuo desfazer?
...Olho teu rosto claro e este sorriso largo que faz vibrar os teus olhos, emoldurando teus lábios. Na cor deste teu sorriso vejo a dimensão dos sonhos, dos loucos sonhos que inda em vão sonhamos.
...Cabem nele velhos e longos dias de espera e encantamento, os velhos sonhos reamanhecidos em cada manhã de névoa.
Neste teu sorriso largo cabe o mundo de brinquedo, com que brincamos um dia, pensando em inconseqüências, quando as manhãs eram promessas, as tardes longas esperas e as noites brilhos de estrelas. Varávamos a noite a dentro, em ritmo alucinado. Tudo era festa, então, tudo era festa.
O que nos resta, senão este acre sabor
De coisas que não sabemos mais?
Já não sabemos a sonhos
Nem a luzires de estrelas
Nem a madrugadas densas
Prenhas de luz
Que hoje nos trazem marcas
Do tempo, animal medonho
Que não soubemos domar.
...E o sonho já não cabe na palma de nossas mãos. Seremos hoje áridos arremedos de nós mesmos, nesses medos ensimesmados?
Mundo, mundo, mundo,
Seremos eternamente enigmas de nós mesmos
Esfinges de nós mesmos
Devorando-nos as entranhas?
da mente quero
a contemplação
das coisas e objetos
sem desejos súbitos
ou fúteis vaidades
quero do corpo
que não me seja
pouco
e seja palco
dos meus anseios
e da minha febre
de viver:
carnervosmúsculos
numa só música
da alma quero
a quietude
e tranparência
e que ela flua
e se derrame
pelos olhos pelos
poros
querer
esse triângulo
santo
a me reger
a vida:.
esse o meu
bem-querer
a contemplação
das coisas e objetos
sem desejos súbitos
ou fúteis vaidades
quero do corpo
que não me seja
pouco
e seja palco
dos meus anseios
e da minha febre
de viver:
carnervosmúsculos
numa só música
da alma quero
a quietude
e tranparência
e que ela flua
e se derrame
pelos olhos pelos
poros
querer
esse triângulo
santo
a me reger
a vida:.
esse o meu
bem-querer
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Hoje, meu pai Antônio, se estivesse vivo, estaria completando 100 anos.
Lembro-me dele todos os dias e noites, como se nāo tivesse morrido há 16 anos atrás.
Sua lembrança é memória viva
Em meu coração e não é uma
Figura de retórica ou saudosismo...
Inútil.
Seus exemplos e suas atitudes em relação à vida e ao mundo ficaram em mim como marcas indeléveis, por isso meu preito de gratidao.
Lembro-me dele todos os dias e noites, como se nāo tivesse morrido há 16 anos atrás.
Sua lembrança é memória viva
Em meu coração e não é uma
Figura de retórica ou saudosismo...
Inútil.
Seus exemplos e suas atitudes em relação à vida e ao mundo ficaram em mim como marcas indeléveis, por isso meu preito de gratidao.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
chimera
falso é o cheiro que exala
dessas bundas moles
tanto tudo prá nada
desses acres líricos de plásti
cos de silicones rijosdessas bundas moles
tanto tudo prá nada
terça-feira, 12 de novembro de 2013
outros nós
:
não mais sós
sóis
que escorrem dos corpos
e encharcam de luz
os lençóis
poesia que flui
e jorra de nós:
não mais sós
sóis
que escorrem dos corpos
e encharcam de luz
os lençóis
poesia que flui
e jorra de nós:
outros nós
domingo, 27 de outubro de 2013
eden
a poesia é foda
ao extrair da garganta
pássaros entalados
cântaros enlatados
e sentidos
mais do que senti
mentos
a foda é poesia
que se destrava
treva que se desfaz
quando se une
a carne mais do que almas
desenrolando nós
de séculos de sentidos
amor daçados
é foda
esse poetar sobre o sentidos
perdidos
desde o jardim do eden
ao extrair da garganta
pássaros entalados
cântaros enlatados
e sentidos
mais do que senti
mentos
a foda é poesia
que se destrava
treva que se desfaz
quando se une
a carne mais do que almas
desenrolando nós
de séculos de sentidos
amor daçados
é foda
esse poetar sobre o sentidos
perdidos
desde o jardim do eden
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
tá
tá
sei que nada mais importa
a não ser sair por aí rompendo barreiras vivendo apressadamente a cem mil por hora cada minu
to
sei
que tudo é nadaa e nada é tudo e tudo caminha a passos de anos luz para o fim e para a definitiva
des
integração
mas
queria muito mais que isso e que chamam de viver a tanta velocidade a tanta infelicidade que
ria o tantra o tanto o canto encantado queria poder parar no meio do caminho na curva do mun
dó tenho dó de ser assim tão rascante tão deselegante tão embevecido comigo mesmo como um song of myself
salve me vida salve a vida deste correr louco e me deixa ser como um passarinho que canta e que
cala quando sente que é hora e me faz ver em frente e enfrentar os mundo mesmo que os anos
passem
e que eu enfraqueça
que não morram meus sonhos
e nem o próximo passo ceda
aos precinpicios de areias
e eu não me enfureça com o
fim
salve, vida!
sei que nada mais importa
a não ser sair por aí rompendo barreiras vivendo apressadamente a cem mil por hora cada minu
to
sei
que tudo é nadaa e nada é tudo e tudo caminha a passos de anos luz para o fim e para a definitiva
des
integração
mas
queria muito mais que isso e que chamam de viver a tanta velocidade a tanta infelicidade que
ria o tantra o tanto o canto encantado queria poder parar no meio do caminho na curva do mun
dó tenho dó de ser assim tão rascante tão deselegante tão embevecido comigo mesmo como um song of myself
salve me vida salve a vida deste correr louco e me deixa ser como um passarinho que canta e que
cala quando sente que é hora e me faz ver em frente e enfrentar os mundo mesmo que os anos
passem
e que eu enfraqueça
que não morram meus sonhos
e nem o próximo passo ceda
aos precinpicios de areias
e eu não me enfureça com o
fim
salve, vida!
sábado, 12 de outubro de 2013
traga-me flores
,e quando vier
traga-me flores, por favor,
e esse seu sorriso branco,
lindo,
cheio de dentes pérolas
pérgolas de luz:
sim, eu sei que as flores secam
e caem ao chão
e que o sorriso lindo se desfaz
ao vento, tudo em vão
e que os dentes pétalas
de lua
não permanecerão
mas é um momento belo,
é um instante pleno
esse, em que estivermos juntos,
com flores lindas dentes brilhantes
lábios nos lábios
mordidas
gemidos e lamentos:
e isto não se repete
nenhuma vez
cada vez é outra vez:
essa é a beleza do estar
no mundo
traga-me flores, por favor,
e seu sorriso lindo
quando chegar, ao anoitecer
traga-me flores, por favor,
e esse seu sorriso branco,
lindo,
cheio de dentes pérolas
pérgolas de luz:
sim, eu sei que as flores secam
e caem ao chão
e que o sorriso lindo se desfaz
ao vento, tudo em vão
e que os dentes pétalas
de lua
não permanecerão
mas é um momento belo,
é um instante pleno
esse, em que estivermos juntos,
com flores lindas dentes brilhantes
lábios nos lábios
mordidas
gemidos e lamentos:
e isto não se repete
nenhuma vez
cada vez é outra vez:
essa é a beleza do estar
no mundo
traga-me flores, por favor,
e seu sorriso lindo
quando chegar, ao anoitecer
sábado, 28 de setembro de 2013
um blue
um blue ainda resiste
dentro de mim:
a trama, inda que trêmula,
um trema esquecido na língua
que treme, tonta
um fim
resiste a t0da investida
e inda que pop linda que rock finda
que tarde
arde etílica metílico azul
lírica musa
nos meus confins:
e lá do fundo
dos meus planos,
dos meus anos
dos meus sonhos
choram as cordas retesadas
nas cordas vocais de veludo
nada tudo tudo.
tudo.
dentro de mim:
a trama, inda que trêmula,
um trema esquecido na língua
que treme, tonta
um fim
resiste a t0da investida
e inda que pop linda que rock finda
que tarde
arde etílica metílico azul
lírica musa
nos meus confins:
e lá do fundo
dos meus planos,
dos meus anos
dos meus sonhos
choram as cordas retesadas
nas cordas vocais de veludo
nada tudo tudo.
tudo.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
em tua boca
soprar em teus ouvidos
segredos de quantros ventos
de quatrinventos
de quatrocentos talhares
soprar. só prá te sentir
queimando
em minha mão marota
que te arranha,alisa,
com calos fumegantes
soprar em teus ouvidos
delícias de palavras
em jardins de edens
ébanos e abanos
muito loucos
os teus ouvidos moucos
cederão?
só sedas rasgarei
em teus sentidos:
em tua boca
morrerei
segredos de quantros ventos
de quatrinventos
de quatrocentos talhares
soprar. só prá te sentir
queimando
em minha mão marota
que te arranha,alisa,
com calos fumegantes
soprar em teus ouvidos
delícias de palavras
em jardins de edens
ébanos e abanos
muito loucos
os teus ouvidos moucos
cederão?
só sedas rasgarei
em teus sentidos:
em tua boca
morrerei
domingo, 8 de setembro de 2013
feel- iniana
..sentia-se assim
quando caminhava pela rua na névoa da madrugada, voltando das suas aventuras
elipticoetílicas pelos bares e boates sentia-se nas brumas de Rimini, personagem de Amarcord, perdida à procura de
afeto e carinho em qualquer braço de bruços nos abraços de cada homem com quem passava as
noites e
caminhava atônita,
catatônica na neblina, buscando seus pares era
puta na estrada gelsomina buscando uma razão de viver suas razões de ser
nas noites de neblina nunca entendera a vida como aprendeu desde criança,
aquela vida de menina que crescia pensando no casamento, ninando bonecas,
brincando de dona de casa, esperando na janela o tempo passar e com ele o
encontro, quem sabe, daquele príncipe encantado que a levaria ao paraíso
crescera assim solta, menina onde é que você
vai a essas horas? fazer o que na praça? menina não pode tomar banho de rio
pelada com meninos, meninos são maus e vão te pegar e ela ria e ria e rindo
levava a vida no balanço das horas, menina sabe que horas você chegou onde é
que estava e ela enrolava e rolava de rir mijando e se cagando para aquele
monte de xingos e de regras quero mais é que tudo se arrebente que o mundo se
acabe em mel ou que tudo se foda tanto faz.
filha, pare de chorar se não te pega O bicho papão (e o
nenê,recém cheirando a leite se enrola, de novo feito feto e se
esconde,enrodilhado)
menina, fica quieta e não se junte aos meninos:menino é mau, e te pega e faz besteiras(e menina- flor que se abre delicada ao mundo descobre o imundo que se esconde no fundo de toda cabeça e se cala, e não se toca,
e se encolhe feito caramujo em seu caracol).
menina, fica quieta e não se junte aos meninos:menino é mau, e te pega e faz besteiras(e menina- flor que se abre delicada ao mundo descobre o imundo que se esconde no fundo de toda cabeça e se cala, e não se toca,
e se encolhe feito caramujo em seu caracol).
sou cabíria, perdida na noite menina que está
na roda que não é cor de rosa, e quero
rodar na vida buscando sentidos novos para esta vida quero achar a rosa rara o
pote do arco-íris, a moeda numero um,
quero o uno e o indivisível, quero a parte e quero o todo, quero tudo
pois estou viva e quero
era sim, mal educada com os mais velhos que
só sabiam meter medo na sua cabeça de adolescente menina cuidado com os meninos
eles vão te estragar, não se entregue na mão de qualquer um, procure um bom
partido e ela se lixando quero mais é me abrir para o mundo mundo vasto varal de promessas, quero as estórias de
cordel, as passagens para o infinito, as cantigas de roda num ritmo novo,
tambores ensurdecendo os tímpanos nas noites ancestrais
:
riscos, correr riscos, nada mais. riscos,
traços e rabiscos nos papéis de seda das pipas da infância quero mais é cair na
gandaia, ela dizia, feito barata tonta, depois vemos no que dá.
sentia-se assim. felliniana. às vezes julieta
em seus delírios psicodélitrópicos, em derramamentos de cores surreais
arrebentando correntes, quebrando o ovo e buscando novos mundos, um demian
redivivo ou como um bergman, batia-lhe
um desespero doido, doído, e ela pensava na morte, no fim, e se encolhia num
canto e se adentrava em si mesma, alma escondida num corpo miúdo, observando a
cena como se estivesse numa viagem astral.
Garota,
toma cuidado com esses seus namorados:Homem é bicho atoa ele te pega e te come
e se vai:(e a mocinha- flor em ebulição em livre viço e rebuliço de seios
e sexo fervendo de desejo se recolhe no ardor do medo
e no escuro do quarto ainda se toca,mas com medo. duo inferno e expurgatório:
e no escuro do quarto ainda se toca,mas com medo. duo inferno e expurgatório:
há salvação?)
e navegava infernos interiores e não estava
nem aí para os outonos e primaveras que se desabrochavam à sua frente. era
ainda apenas um a criança menina moça mulher se abrindo e já antecipando tantas
buscas tantas perguntas tantas loucuras
vindas de suas leituras malucas de poetas
tantos baudelaire rimbaud pessoas
lautreamonts e outros que ela aprendeu a
amar no silêncio das bibliotecas, sozinha no escuro de si mesma.
senhora,muito cuidado ao caminhar assim, elegante pelas ruas e
becos:olha os bandidos, olha os gigolôs que só querem seu dinheiro
vendendo sexo como se fosse pipoca. e não carinho.
( assustada, reduz os passos, alonga o vestido,]esconde os peitos no decote e se recata e corre para a igreja,ali sim, refúgio, sem perigos?:
vendendo sexo como se fosse pipoca. e não carinho.
( assustada, reduz os passos, alonga o vestido,]esconde os peitos no decote e se recata e corre para a igreja,ali sim, refúgio, sem perigos?:
:
ainda há salvação?)
oi-tee-nta
anos. que foram junto com os
tempos,bonecas e cirandinhas,
os vestidos decotados,os arroubos de menina e o assanho de moça:
os tempos foram junto com os anos vermelhos de faces coradas e desejos
arredios e ardidos as mãos tocando o sexo de noite, às escondidas
buscando o gozo: e o pecado e a vergonha,e a salvação:ainda há salvação?) cuidado senhora, não saia assim sem o seu casaco
e o seu cachecol de lã a a morte é insidiosa e ela vem te pegar:
( cansada,de solidões e agouros um poço de velhas lembranças de tudo que ouviveu de tudo que sentiu de tudo que sofreu da salvação que não houve nem mais ouve: que venha
os vestidos decotados,os arroubos de menina e o assanho de moça:
os tempos foram junto com os anos vermelhos de faces coradas e desejos
arredios e ardidos as mãos tocando o sexo de noite, às escondidas
buscando o gozo: e o pecado e a vergonha,e a salvação:ainda há salvação?) cuidado senhora, não saia assim sem o seu casaco
e o seu cachecol de lã a a morte é insidiosa e ela vem te pegar:
( cansada,de solidões e agouros um poço de velhas lembranças de tudo que ouviveu de tudo que sentiu de tudo que sofreu da salvação que não houve nem mais ouve: que venha
a insidiosa e que venha me pegar me carregando em seu braço
de volúpia e perdição:(mas a morte, insidiosa,nem esta vem pegá-la:
prefere outras, mais jovens,perdidas em vícios e frescor:
felliniana, um clown de si mesma, caminhando nas neblinas, nas brumas geladas das noites, nos descaminhos dos bares, no desconforto dos espinhos, nas estradas mais escuras, sem samaritanos a lhe dar guarida, assim ela caminhava, e ia aprendendo da vida as lições mais bonitas... não só andar no claro na luz no mundo das vitrines e dos bonitos, mas sim entregar-se ao mundo verdadeiro, buscando, em cada um, aquilo que ela sabia que poderia aprender
:
para assim poder dizer, um dia: até que fui
feliz.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
treze
sem sentido, diria eu,
em qualquer tempo
estarmos aqui assim
num dia assim
que fim? perguntaria
em meio ao caos
de um mundo malouco
caindo aos pedaços
quebrando em cacos
homens inúteis
até onde vemos
o que é isso aí?
é isso aí, mano,
vociferam vozes
embrigaadas
no tédio
que remédio?
sim, sentido, estar aqui,
e sem perguntas
sem respostas
sem repastos
sem luz, sem paz,
sem lembranças
os sonhos ainda existem
mas as musas se calam
ante o inevitável:
na esquina,
na curva do tempo,
ali na frente,
tudo pira
e expira a vida:
o que é a vida
esta força motriz?
quando os nervos gelam
e as visceras secam
resta a saudade
esta palavra louca
esta coisa inlúcida
e a dor das perdas:
sem sentido.
em qualquer tempo
estarmos aqui assim
num dia assim
que fim? perguntaria
em meio ao caos
de um mundo malouco
caindo aos pedaços
quebrando em cacos
homens inúteis
até onde vemos
o que é isso aí?
é isso aí, mano,
vociferam vozes
embrigaadas
no tédio
que remédio?
sim, sentido, estar aqui,
e sem perguntas
sem respostas
sem repastos
sem luz, sem paz,
sem lembranças
os sonhos ainda existem
mas as musas se calam
ante o inevitável:
na esquina,
na curva do tempo,
ali na frente,
tudo pira
e expira a vida:
o que é a vida
esta força motriz?
quando os nervos gelam
e as visceras secam
resta a saudade
esta palavra louca
esta coisa inlúcida
e a dor das perdas:
sem sentido.
domingo, 11 de agosto de 2013
é foda!
a propósito do texto " entre a foda e a poda" do amigo zappa
o trabalho é foda
e poda o prazer
do fazer.
mas foda não é trabalho
é do caralho foder.
a foda não é fardo
pesado, que deságua
em dores, cansaços
ou frustações
antes, é dardo
certeiro
num lance de alcance
a foda é prazer
de fazer
é sanha de amantes
a foda é roda
ao redor de
quem amamos
ou desejamos na cama. é roda
que se abre, ao derredor da rosa
é prosa tesa, papos, cabeças ou não,
encantos, beijos roubados
(como antigamente)
mãos espertas,
peitos ariscos
a foda é não ter vergonha
de dar nome aos bois
bocas, peitos, bundas, cus, bucetas,
nenhuma palavra se esconde
tudo se expande
ao foder
e contra o poder
a foda não arrefece
só faz aumentar o prazer
que repousa no ócio
a foda não é trabalho
´d caralho é foder
até que os corpos suados
se e4stendam, lassos
do prazeer
a foda é a fé
na vida
é a força motrix
nutriz
é semente da flor:
a foda não é trabalho
é p-razer
com amor
sem amor
é celebr-ação
do mais sagrado
do mais profano
]do ser.
eia, a foder!
o trabalho é foda
e poda o prazer
do fazer.
mas foda não é trabalho
é do caralho foder.
a foda não é fardo
pesado, que deságua
em dores, cansaços
ou frustações
antes, é dardo
certeiro
num lance de alcance
a foda é prazer
de fazer
é sanha de amantes
a foda é roda
ao redor de
quem amamos
ou desejamos na cama. é roda
que se abre, ao derredor da rosa
é prosa tesa, papos, cabeças ou não,
encantos, beijos roubados
(como antigamente)
mãos espertas,
peitos ariscos
a foda é não ter vergonha
de dar nome aos bois
bocas, peitos, bundas, cus, bucetas,
nenhuma palavra se esconde
tudo se expande
ao foder
e contra o poder
a foda não arrefece
só faz aumentar o prazer
que repousa no ócio
a foda não é trabalho
´d caralho é foder
até que os corpos suados
se e4stendam, lassos
do prazeer
a foda é a fé
na vida
é a força motrix
nutriz
é semente da flor:
a foda não é trabalho
é p-razer
com amor
sem amor
é celebr-ação
do mais sagrado
do mais profano
]do ser.
eia, a foder!
terça-feira, 6 de agosto de 2013
exatinexato
exato.
no ex-ato
contínuo
exalto-me
e continuo contigo
contíguo a mim
inexato.
hesito entre
o êxtase
e o êxito
neste este
oeste
sem nortes
morte é o fim?
amarte é a meta?
qual é o mote contínuo
do universo?
exato. te disse
e toquei tua mão
como as cordeias
de um banjo:
acordas em mim
um riso antigo
de anjo
no ex-ato
contínuo
exalto-me
e continuo contigo
contíguo a mim
inexato.
hesito entre
o êxtase
e o êxito
neste este
oeste
sem nortes
morte é o fim?
amarte é a meta?
qual é o mote contínuo
do universo?
exato. te disse
e toquei tua mão
como as cordeias
de um banjo:
acordas em mim
um riso antigo
de anjo
terça-feira, 16 de julho de 2013
êx-tase
,nada. tudo deságua manso
em profundos deslizes
aumentos mortos
tudo. o que é tudo
o que é o mofo
que se infiltra,lento
sorrateiro e torto
pelos pelos corpos
carpos
cardos
carrapatos túrgidos
do sangue das musas
mofo mofando mixando
as chances
de ser de novo
o novo
o antigo medra o medo
ataca as úvulas
tesam
as uvas secam
as peras na fruteira
mudas
lá longe a nona
de ludwig ressoa
convidando ao êxtase:
prá onde levaram
as ex-cadas do céu?
em profundos deslizes
aumentos mortos
tudo. o que é tudo
o que é o mofo
que se infiltra,lento
sorrateiro e torto
pelos pelos corpos
carpos
cardos
carrapatos túrgidos
do sangue das musas
mofo mofando mixando
as chances
de ser de novo
o novo
o antigo medra o medo
ataca as úvulas
tesam
as uvas secam
as peras na fruteira
mudas
lá longe a nona
de ludwig ressoa
convidando ao êxtase:
prá onde levaram
as ex-cadas do céu?
segunda-feira, 15 de julho de 2013
BRILHO DA CARNE
iris -descendo brilhos crus
em carnes fastiadas
verdeflamejantes arcos
encarnados:
a carne,mesmo putrefável,
capta luzes
como sóis
de vagalumes
,e no cerne
traduz
a grandeza das gentes
entregues
à própria sorte
quarta-feira, 24 de abril de 2013
A Nona
não sabia desde quando tinha aquela atração louca pela nona de Beethoven.ahava que
tudo tinha começado quando, lá pelos idos de setenta e um, viu aquele filme maluco laranja
mecânica do Kubrick onde Alex e seus drugues barbarizavam tocavam o terror embalados
ao doce som da ode à alegria e aos movimentos cadenciados da nona. Lembra que logo
depois de ver o filme, isso com vinte e um, buscou a leitura do livro que originara o filme e
ficara ainda mais fascinado com aquele universo criado pelo burguess, com todo aquele novo
palavreado aquela junção de tantas línguas para formar novas nomenclaturas e renomear os
bois digo todas as coisas e ele pensava porra esse burguer e ele confundia com hambúrguer
pois achava tudo parecido esse cara era o bicho criando a todo aquele universo paralelo num
mundo futurista que podia ser agora com tanta ditadura tanto totalitarismo e aquela música
de Beethoven coro de anjos exultando o espírito e qual era afinal a mensagem? Abaixo a
violência gratuita abaixo a ditadura abaixo a mesmerização a coisificação e viva a revolução
dos costumes e a individualidade num mundo de bonecos e robôs? E ele sabe já se passaram
mais de quarenta anos e até hoje ainda não saquei de verdade a mensagem daquela laranja
que não apodreceu pelo contrário continuam hoje aí vivas as contestações as ilusões os véus
de maia tapando as mentes todas essas primaveras estourando por aí e
ficava horas a fio ouvindo as sinfonias de Ludwig van parecia até o Alex e flutuava no azul
do quarto quando as notas alcançavam sua alma e ele se pegava pensando no longo da vida
no louco da vida nas ânsias da vida tudo isso ali naquela sinfonias e ele via à sua frente o
alemão de braços abertos a reger suas emoções e ao mesmo tempo também via Ludwig
van no momento da morte esmurrando o ar arregalando os olhos e caindo sobre a cama
sem entender o fim: afinal o homem estava surdo há muitos anos e criava maravilhas que
ele jamais conseguiria compreender integralmente em todas as nuances e de repente pum
estoura-lhe o coração e o fígado dizem que morreu de contaminação por chumbo que bebia
muito vinho que era doente desde novo mas nada disso impediu sua genialidade
ficava horas a fio sozinho no quarto ouvindo a nona e não sabia fazer nada mais além disso:
sua história era mais do que manjada e sua vida não daria um romance que nem a de Ludwig
van. Sua vida era uma vida de mesquinharias de pequenos atropelos de relacionamentos vãos
de empregos mal enjambrados de amores mal resolvidos de filhos mal educados enfim sua
vida não daria um romance? Afinal qual a matéria prima dos romances que não as dores do ser
humano comum perdido em meio ao caos às brumas
perdido e pendido entre tantos caminhos e escolhas entre eros e tanatos entre virtudes e
vícios entre freuds e reichs entre divãs ou viagens artificiais afinal o que é que move o mundo
o que é que move os homens nesses caminhos tão desarvorados tão sem sentidos qual é o
sentido das vida afinal e ele fica ali em frente ao vazio do mundo em frente àquela parede
caiada de branca tingida de ausências caiada de solidões ouvimndo ludwig van e relembrando
ao mesmo tempo cenas da laranja mecânica e sua tentativa vã de explicar a dicotomia entre
individualidade e solidariedade entre vicio e virtude entre discernimento e confusão mental
entre livre arbitrio ou contenção dos sentidos: será que o caminho seria o desregramento
dos sentidos c omo os poetas românticos que se entupiam de ópio e absinto e vislumbravam
outros mundos como um castaneda que abria portas regadas a mescalina será que o caminho
seria a elevação espiritual através do êxtase religioso como tereza e seus cantos de amor
desmesurado pela divindade como os brâmanes e seus desligamentos do real para alcançar
nirvanas
pensa logo em kurt, outro poeta desesperado e roquenrol e em mais uma dúzia deles todos
que partiram cedo demais na busca do paraíso será que pasárgada seria esse paraíso tão
buscado um xangrilá prá lá de marrakesh?
ludwig van. lhe dá esse poder de concentração de meditação de levitação ludwig jamais
poderia supor que sua música divina viesse a se transformar em trilha sonora de analises
espiriturais de viagens carnais de
de embalos sensoriais sim já havia ouvido a nona em diversas festas de som eletrônico é ainda
freqüentava essas baladas malucas que duravam noites todas loucas tribais e ludwig rolava lá
era possível?: era pois ludwig cabia em todas as suas horas e ele pensava
(aqui entra o narrador já preocupado com o excesso de verbalização do personagem com tanta tautologia que não
leva a lugar algum porra afinal conto não tem que ter uma história um fio condutor um início meio e fim afinal tem
que contar alguma coisa)
E ai,senhor personagem sem nome que vou de L/V, vai ficar aí nesse divã revisando conceitos
desfiando memórias de não acontecenças brigando com as palavras e não vai contar nenhuma
história- assim os leitores não agüentam e deixa logo logo de ler seus escritos. Cê tá parecendo
um personagem à procura de um autor e coisa de pirandello
Ou seria um autor buscando personagens plausíveis para figurar em seus contos personagens
iguais ao da vida real a vida imita a arte ou a arte imita a vida é uma simbiose louca e ei e
quem disse que conto tem que ter tanta ação tanto movimento tanta história?
(num aparte, o personagem se revolta e tece comentários sobre o texto e se diz manipulado e direcionado pelo
autor)
Olha veio eu queria ser detentor do meu destino e não um fantoche um títere manipulado
pelas suas convicções sobre o que é literatura- na verdade isso aqui pode não ser um conto
pode sim ser um anticonto, um dramático canto de cisne que não enxerga frestas nem
brechas numa massa de corpos que giram nos universos e que não vê portas se abrindo mas
despenhadeiros esfacelando sonhos engolindo sapos estrelas candentes de promessas não
cumpridas de vontades relegadas de sentimentos negados e
(aqui o narrador retoma o fio)
afinal o que é estar vivo? o que significa estagnar aqui,assim, num dia assim,in extremis como
Bilac contemplando e ouvindo estrelas e os filhos todos crescidos pelo mundo nem sabe
por onde andam e a as duas ex mulheres sempre nas barras dos tribunais buscando mais e
mais e ele ali, sozinho de novo, solitário contemplando paredes brancas caídas de solidão
e de desespero comendo pizzas ele que já fora vegetariano macro convicto lá pelos anos
setenta hoje restam-lhe tatuagens pela pele flácida rugas destruindo as linhas do sorriso e
criando marcas indeléveis muitos dizem é vida mas ele sabe que não na verdade é o caminho
irreversível para a solidão e para a ruína
será que vai morrer um dia assim como Ludwig van socando o ar e arregalando os olhos pra
encegar melhor o vazio que se abrirá diante dele? será que vai conseguir encarar o dragão do
caos ele o santo guerreiro da luta contra a mediocridade e os lugares comuns afinal vai ser
tragado pelo lugar mais comum, pela vala comum?
será que vai ainda descobrir alguma coisa nova que lhe traga prazer e alumbramento, uma
epifania oculta na música de ludwig, uma sinfonia anônima e soterrada em algum canto da
memória?
ele não sabe de mais nada.só queria ficar ali, ouvindo a nona, até que a imensidão abra
seus braços e o embale embolando suas pernas enroscando-o como feto e quem sabe?
devolvendo-o ao mundo num jato de luz?
sexta-feira, 19 de abril de 2013
profano
tão profanamente poético
esse desfazer-se em teias
esse desconstruir-se
em cacos
buscando a unidade
e os círculos concêntricos
do indivisível:
eu, tu, eles,
nós: seremos os nós
em decifráveis crus
urdindo a vida
ou os cegos sóis
que negam brilho
e fogo?
jogo logro jogro
joio
e falsas joias
em meio ao trigal)
:
profanamente poético
esse estranhamento
esse entranhamento
esse humanuser:
onde nos leva o espanto
em asas de que cavalos
de inquietude do
espírito?
e
domingo, 7 de abril de 2013
desquadrilhas
eu não acredito em juras de amor.
pelo amor de deus!
eu não acredito em deus.
tum tum tum tum tum soou como se fosse um toma
distraído.
Por um desses caprichos do destino Noel sobreviveu a Carmem. E Carmem sobreviveu a Noel, isso já foi dito antes,
lá pelo narrador. Noel não...parece que estava predestinado a morrer daquele câncer no fígado, tanto que Carmem já
ironizava, ouvindo rorô e bebendo todas eu sou a última a lhe dizer adeus tum tum tum mas Noel sobreviveu. E assim,
meio que por um deseo de ser solidário com os sofredores, os desesperados, procurou um desses SOS vida que rolam
por aí, linhas telefônicas para consolo conselhos e afetos mesmo que simulados quem sabe salvar vidas como a dele
fora salva por uma mão invisível deus?ele também não acreditava em deus. E nem mais em Carmem. Mas a vida
continuava e ele acreditava na vida.
E foi numa dessas noites geladas chovia prá caralho e ele nem queria ir para o seu posto de salvador de vidas por
quaisquer vias que ele conheceu aquela moça que ele não sabe porque mexeu com ele ela chorava ao telefone e
dizia que estava navegando um mar de pesadelos sangue vermelho escorrendo do teto lama nos lençóis pés
afundados em lodos e podres e ele ouvia tudo e nem sabia o que falar é claro quem essa maluca está atolada é em
drogas essa onda esse barato e ela dizendo acho que vou morrer não sei mais o que faço tem um monte de monstros
me espionando qual o seu nome onde você está tem alguém com você e ela respondia meu nome é Cristina c. to
sozinha quer dizer eu e meus monstros que me espiam e esperam a hora de me devorar to aqui na minha casa nos
jardins anote aí o endereço e ele paciente ia anotando e notando de repente que aquela voz em vez de piedade lhe
dava tesão e pensava porra eu preciso conhecer essa mulher acho que vou pessoalmente prestar socorro e Carmem?
Carmem continuava a analisar vísceras alheias mas não sofria nada com o que via e ouvia cânceres tumores choros
lágrimas desesperos para ela nada queria dizer nada pois estava trespassada das dores da vida e não se logava nas
mortes alheias nem prá sua ela ligava enquanto se afogava em bebidas e em blues suas noites eram um descaminho
até os bares mais perto de casa onde ficaaaaava até altas horas buscando conforto e prazer no calor dos copos, às
vezes se deixava levar por algum cara até por outras mulheres para sentir um pouco de suor naquele frio que tomava
conta de sua vida havia muito tempo desde que Noel a deixara naquela noite Carmem notou um sujeito estranho
sentado numa mesa perto da saída tinha um ar assim, uns olhos parados, uma cara de intelectual manjado uns olhos
arregalados e parece que nem estava ali- sentiu-se atraída por aquela figura parece que saída de um conto de
Lovecraft ou de Poe todo vestido de preto e ela pelo contrário de vestido vermelho boca pintada uma Carmem de bizet
dramatilirica etílica rodopiando a bunda e os peitos ah se eu fosse a carmem de Bizet ela dizia e ficava só por isso mas
naquela noite sentia-se operística- muito drama muito lírica muito éter muito álcool por isso sentou-se na mesa com
aquele cara com cara de malucão e perguntou assim na cara dura ei tudo na boa?e o cara olhou prá ela com os olhos
ainda mais arregalados e como?eu conheço você sua maluca e ela disse não mas eu quero te cohecer e ele sou
Gregório Gregório m. e ando muito solitário muito doido e nem sei mais o que fazer da minha vida ei o que você faz e
ele sou escritor frustado poeta despirocado acho que não sou nada sou apenas um sopro de vento um cisco um risco
no breve espaço entre o tudo e o nada e ela achou aquilo lindo nossa você é mesmo um poeta e ele você faz o que?
carmem ah sou patologista quer dizer ei eu sei o que é patologista sei mas você não sabe da doideira
que é ver
órgãos e órgãos humanos deteriorados carcomidos destroçados e ver as caras de desespero e de dor daqueles que
não sabem que o corpo é finito que a beleza é efêmera que a alegria é inútil e passageira e que a dor abraça a todos
com a mesma garra e a mesma gana ei isso é coisa de poeta seu nome qual é?carmem porra que legal assim de
vermelho me lembra a de Bizet e ela adoro a Carmem de Bizet adoro blues e musicas de fossa mas de que estamos
falando afinal? Hoje é sábado to de folga e não vim aqui prá chorar nem prá lamentar dores minhas e alheias eu to
aqui para beber e farrear e aí desce mais uma? E eles ficaram ali,como velhos amigos noite adentro, tomando todas,
ele já com os olhos menos arregalados olhava prá ela com expressões de carinho e sentia uma coisa no coração que
lhe aquecia alma engraçado que que seria aquilo
Noel não se conteve ao ouvir a voz chorosa da moça do outro lado da linha e lhe disse vou até aí prá te ajudar e ela
mas venha rápido senão os monstros vão me engolir e ele com pena daquela voz aprisionada em si própria como
seria essa Cristina c. c de que? de cansada de castigada de crucificada pelos seus próprios medos e ele acelerava o
carro tava longe dos jardins tava na periferia mas de madrugada era mais rápido o trânsito e ele finalmente chegou
ao endereço o porteiro quis criar caso mas ele interfonou e a moça de voz miúda mandiu subir ele encontrou a porta
fechada teve que arrombar e quando entrou no quarto da moça de voz miúda Cristina c. estava jogada sobre a cama
fios escorriam de sangue ver.melho sobre os lençóis brancos e o chão era um marrevolto de lama e flutuavam sombras
sobre a cama parecendo querer a moça a qualquer custo e então Noel deu um berro CHEGA que assustou até as
potestades do outro lado do universo CHEGA porra deixa a moça em paz naquele instante por um momento parece
que um ar limpo penetrou o quarto uma aura de luz luminou as caras de Noel e de Cristina c. e uma música suave
tocou ao fundo aumentando aumentando e culminando uma ode à alegria e os dois se olharam nos olhos( paercendo
uma cena de contos de fadas mas é intencional) e descobriram semelhanças entre seus desesperos
Naquele impreciso momento, em uma outra parte qualquer da cidade, outros dois também encontravam semelhanças
entre suas dores e desencantos e se olhavam nos olhos e gregorio m. disse prá Carmem vamos pro meu apartamento
quero dançar uma valsa com você nós dois muito doidos vamos brincar de touro e toureiro você vai ver vou te agarrar
e trepar até que você desmaie debaixo de mim vamos lá e Carmem por que não? Vamos lá
Nesse ponto o narrado saí de cena e deixa os dois improváveis casais encontrarem-se, tatearem-se,
tocarem-se, teatralizarem-se, poetizarem-se buscando o encontro perfeito onde vão soltar os bichos e as dores e,
pelo menos naqueles momentos, ser felizes(felizes ou saciados?) esquecendo-se dos tuneis de lama, dos monstros no
escuro, dos personagens malucos, das biopsias, autopsias, lamentos, uivos e berros de dor
E de desencantos da vida
E o narrador se dirige ao outro narrador, de quem apropriou seus personagens, alongando-lhes as estórias
com uma complacência e uma bondade muito suspeitas, e lhe diz:
Camarada zappa, e aí, todos não tem o direito a um final feliz?
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