quinta-feira, 6 de novembro de 2008

NO RIO CAUDALOSO DOS SENTIDOS

ART MIRROR/flores de vapor by Guiprimola(guiprimola@yahoo.com.br)


Como quem
não quer
nada
Nado
Nudo
No rio caudaloso dos sentidos
Na cauda dos cometas e dos mitos
Poetas malditos.
E mergulho. Sem escafandros
Nos meandros da palavra
Que engendra versos
Que medra sonhos
Em meneios
De vozes
E de sombras.
E mergulho. Buscando
A luz mais que perfeita
No verso desconhecido.
Como o calor de corpos
De amantes amalgamados
Em camas e escamas
Subaquáticas.
Os céus derramam verdes
Frutos sobre a terra
E os troncos crescem,
Alçando-se ao léu.
Ao longe, dentes de leões
Ameaçam despedaçar-se
Ao sabor dos ventos
Mas se acalmam
Ao ver os azuis ensandecidos
Das musas de Picasso
E de Matisse
Matizando os cromos
Do arco-íris
Que se deita, estático,
Estético,
Na íris dos olhos
E dos lilazes.

E eu mergulho, assim,
A nado,
nudo,
Mudo
No reino silencioso
Das palavras
Que tecem casulos
E venenos
E nos conduzem
A píncaros e precipícios.

2 comentários:

fernando de castro f. disse...

maravilhado!
um tanto tonto
tonto de boa brisa
tonto de grande trago
de fina bebida
que seu poema,
meu caríssimo dan,
destila!

Asas Negras disse...

Um tanto parnasiano mas ainda consegue ser interessante